A tarde do segundo dia do Colégio de Inspetores 2025 e 12º Congresso Estadual de Profissionais do Crea-SP, realizados no Mercado Pago Hall, no Mercado Livre Arena Pacaembu, em 8 e 9 de agosto, foi palco de debates cruciais sobre o futuro da tecnologia e suas aplicações no Brasil. Exemplo disso foi o painel ‘Os impactos da inteligência artificial nas políticas públicas’, que discutiu as oportunidades e desafios de uma era de transformação entre Mateus Bassan, diretor executivo da Muntz Martech e diretor de Inovação e Tecnologia da holding in.Pacto, e Fabio Kon, professor de Ciência da Computação da Universidade de São Paulo (USP), com a mediação de Regiane Romano, ex-assessora especial do Ministério da Ciência e Tecnologia, head do Smart Campus Facens, consultora em inovação e professora.
“Estamos no meio de uma revolução. Talvez uma das maiores que a humanidade já vivenciou. Temos uma série de oportunidades e grandes desafios com a chegada da Inteligência Artificial (IA)”, disse Regiane.
Ao apresentar detalhes do InterSCity — projeto de pesquisa colaborativa sobre a Internet do Futuro para Cidades Inteligentes sediado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) —, Kon fez algumas observações sobre a elaboração de políticas públicas no Brasil e no mundo. “Infelizmente, as políticas públicas urbanas, em geral, são executadas e elaboradas sem base científica”, pontuou, antes de defender veementemente iniciativas governamentais calcadas em evidências científicas, que incluem coleta e criação de dados dos programas implementados, experimentos e monitoramento rigoroso da execução.
O professor abordou uma série de exemplos desenvolvidos no InterSCity graças à inteligência artificial. Em um deles, a equipe analisou dados do Sistema Único de Saúde (SUS) de mais de 1 milhão de internações hospitalares em São Paulo e desenvolveu um dashboard interativo que permite, aos gestores, visualizar informações como, por exemplo, o deslocamento de pacientes e a distribuição de doenças. Concluiu-se que a capital paulista se comporta como se fosse quatro cidades completamente diferentes, demandando políticas públicas específicas para cada região. “Já no Rio de Janeiro, desenvolvemos um sistema preditor de dengue que é capaz de prever surtos com três meses de antecedência”.
Fonte: Assessoria de Comunicação CREA/SP