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92 anos de Crea-SP: um legado construído por gerações que fizeram história

Profissionais, lideranças e instituições ajudaram a transformar o Conselho ao longo de mais de nove décadas

O Conselho completa 92 anos no dia 19 de maio de 2026, e a data é uma oportunidade de olhar para o passado e enxergar o legado deixado pelas pessoas e pelas instituições que ajudaram a construir o que o Conselho é hoje.

Iniciada em 1934, a trajetória é marcada desde o começo pela relação entre o Conselho e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), uma vez que Ranulpho Pinheiro Lima, engenheiro formado pela instituição, foi o primeiro presidente da recém-criada autarquia.

O vínculo simboliza a ligação histórica entre o Conselho, a academia e as entidades de classe. Para o conselheiro José Renato Baptista (acima), engenheiro de minas, representante da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) no Plenário do Crea-SP e integrante da Câmara Especializada de Geologia e Engenharia de Minas (CAGE), a relação é estruturante para a própria engenharia brasileira. “A Escola Politécnica é uma das escolas mais antigas de Engenharia do Brasil. Ela forma mais de 700 profissionais por ano e tem uma participação expressiva a nível nacional”, conta.

Ele também destaca o papel do Conselho na aproximação com os estudantes. “Iniciativas de contato com a universidade são sempre importantes, e o Crea-SP Jovem exerce um papel fundamental nessa relação, pois traz o estudante ainda não formado para vivenciar e entender a importância que os Conselhos têm nas profissões”, afirma.

Ranulpho Pinheiro Lima também exerceu o cargo de presidente no Instituto de Engenharia (IE), e o engenheiro civil Vinícius Caruso (acima), conselheiro do Crea-SP e integrante da Câmara Especializada de Engenharia Civil (CEEC), além de representante da entidade, reforça o peso histórico dessa parceria. “O Instituto de Engenharia é uma das entidades precursoras do Sistema Confea/Crea e Mútua, tendo participado diretamente de sua criação, em 1933”, diz.

Para Caruso, a força da parceria está na sua capacidade de se manter atual. “As entidades de classe envolvem os profissionais que estão na ponta, aproximando o Conselho da realidade concreta do exercício profissional”, relata. “A parceria entre o Instituto de Engenharia e o Crea-SP evolui justamente pela capacidade de unir tradição institucional e atenção às novas demandas da sociedade. Enquanto o Instituto contribui com debate técnico e produção de conhecimento, o Crea-SP pode transformar esse diálogo em ações de valorização, capacitação e proteção da sociedade”, conclui.

André Monteiro De Fazio entre os filhos Felipe (e) e André (d)

Essa história também se repete em trajetórias familiares. O engenheiro civil André De Fazio Neto, integra hoje o Plenário do Crea-SP e carrega um vínculo direto com a história do Conselho: seu pai, o engenheiro civil André Monteiro De Fazio, presidiu a autarquia por duas gestões consecutivas, entre 1994 e 1999, período marcado pela preparação aos desafios do novo milênio.

A ligação entre pai e filho com o Crea-SP também passa pela Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos, parceira de longa data do Conselho, onde ambos atuaram como presidentes e representantes no Plenário em diferentes momentos.

“Carrego principalmente o respeito às instituições, a valorização da engenharia e o entendimento de que cargos são transitórios, mas os legados permanecem”, afirma Neto. “As entidades de classe são verdadeiras escolas de liderança e cidadania profissional. É ali que os profissionais aprendem a debater ideias, construir consensos e atuar coletivamente em favor da Engenharia e da sociedade”, completa.

Hoje presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos e conselheiro do Crea-SP, Neto entende que a nova geração tem o desafio de preservar a credibilidade construída ao longo das últimas décadas, sem deixar de aproximar os jovens profissionais das entidades de classe e do Sistema Confea/Crea. “Mais do que nunca, será fundamental manter a Engenharia conectada aos grandes desafios da sociedade, como mobilidade, saneamento, infraestrutura, sustentabilidade e desenvolvimento urbano”, completa.

Um caminho feito por pessoas

Ao longo de mais de nove décadas, o Crea-SP intensificou sua atuação para os 645 municípios paulistas e reúne hoje cerca de 380 mil profissionais registrados, 110 mil empresas, aproximadamente 25 mil novos formandos por ano, 525 instituições de ensino e 144 entidades de classe. Uma estrutura construída por gerações de profissionais que ajudaram a consolidar a credibilidade do Conselho.

 

Entre aqueles que construíram essa trajetória está a engenheira de alimentos Iracema de Oliveira Moraes, 86, a primeira de sete irmãs a ter acesso à educação formal e que ajudou a alfabetizar os próprios pais. Sem condições de cursar Engenharia naquele momento, Iracema se mudou para Campinas para estudar Ciências Exatas na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), onde se formou em 1962. O sonho se concretizou anos depois, quando o marido leu no jornal sobre a criação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e de um novo curso de Engenharia de Alimentos. Ela entrou na primeira turma e foi a primeira profissional da área a obter registro no Crea-SP. “Começamos o curso com 30 alunos e terminamos em seis – quatro homens e duas mulheres”, lembra.

Professora titular da Unicamp, Iracema dedicou décadas à Engenharia, à pesquisa e à formação de profissionais, sendo uma das primeiras mulheres do país a alcançar esse posto na área. No Sistema Confea/Crea, atuou como conselheira do Crea-SP por oito mandatos de três anos cada, sendo o primeiro em 1975, e como conselheira federal por São Paulo no Confea.

Iracema foi, ainda, autora da primeira patente da Unicamp, recebeu o Prêmio Governador do Estado pelo Melhor Invento do Ano, em 1985, e atuou também como docente e orientadora em instituições como USP, Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Universidade de Guarulhos (UNG). Entretanto, a engenheira acredita que sua contribuição com a área está longe de acabar. “Existem milhares de inovações para implantarmos. Ainda trabalho, aos 86 anos, e acho que temos um campo extremamente fértil, a cada dia estamos inventando mais uma coisa”, finaliza.

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